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Artigo: conheça mais sobre a origem do Jiu-Jitsu no Amazonas e o sucesso da arte suave em Manaus

Artigo fala sobre a origem e a história do Jiu-Jitsu no estado do Amazonas e o sucesso da arte suave em Manaus ao longo dos anos; confira

* Falar sobre o estado do Amazonas, seus costumes e como o Jiu-Jitsu conseguiu criar raízes em meio às diversidades culturais é um privilégio. Pode parecer estranho, mas muitas pessoas das artes marciais desconhecem esses conhecimentos que nos ajudam a ampliar a consciência diante do mundo do saber. Por esse motivo, o professor Almério Augusto Cabral dos Anjos, faixa preta em Jiu-Jitsu (Associação Monteiro de Jiu-Jitsu), irá nos presentear com um breve histórico sobre o nascimento da arte suave e sua importância no estado do Amazonas. 

1- Faça uma breve introdução do Amazonas, sua cultura e costumes, e como o Jiu-Jitsu entrou no estado?

O Amazonas é o maior estado da Federação em território, e, normalmente, aqui só se chega de barco ou de avião (existe uma ligação por estrada, mas ela é praticamente intransitável a maior parte do ano). É uma terra de gente extremamente hospitaleira, e da mesma forma extremamente guerreira… Que gosta de estudar e exaltar sua cultura, bem como promover uma relação muito íntima com a natureza em estado puro. 

A história do Jiu-Jitsu por estas bandas tem duas vertentes

A primeira é a clássica, de origem japonesa, cujo principal personagem é Soichiro Satake e, como continuador de sua linhagem, seu aluno Guilherme Pinto Nery, filho de família natural, lutador e professor conhecido no Estado, e pai da Educação Física no Amazonas. Nos anos 60, o trabalho dessa linha clássica acabou sendo absorvido pelo processo de disseminação do Judô, fenômeno sofrido pelo Ju Jutsu em todo o mundo. Aqui não foi diferente… E essa foi justamente a década na qual o Judô virou esporte olímpico. 

A segunda vertente foi a que frutificou de forma maravilhosa. Foi à chegada do Jiu-Jitsu Gracie no final de 1976, em Manaus, quando Reyson Gracie aceitou o convite dos irmãos Arthur Virgílio Neto e Ricardo do Carmo Ribeiro, e veio morar na outrora chamada Paris dos Trópicos. Dessa linhagem, descendem absolutamente todas as equipes que fizeram da arte suave amazonense essa grandiosidade de renome mundial.  Depois de falar da figura de Reyson Gracie, é importante mencionar Osvaldo Alves, pois várias equipes descendem dele. 

Em Manaus, temos hoje três linhas genealógicas do Jiu-Jitsu.  Temos os Irmãos Monteiro, que lideram a maior e mais vitoriosa equipe da região, a Associação Monteiro de Jiu-Jitsu. Os irmãos começaram com Luis Façanha, mas foram morar no Rio de Janeiro e se formaram professores pela Academia Gracie, nas mãos dos irmãos Rickson, Royler e Rolker Gracie. 

Eu sou o oitavo faixa preta formado pela Associação Monteiro de Jiu-Jitsu. Desta escola que saíram nomes como Xande Ribeiro, Paulo Coelho, Saulo Ribeiro, e muitos outros grandes campeões da história do Jiu-Jitsu (do Amazonas e do mundo). 

Outra grande linha é a de alunos do Mestre Osvaldo Alves, e neste ponto cabe mencionar: Humberto Barbosa Jr. fundador da academia HBJ; Nonato Machado, fundador da Academia NV e representante da equipe Nova União; Ulisses Paixão e Faustino Neto, fundadores da Academia Agenor Alves/Clube Pina de Jiu-Jitsu, e Orley Lobato, todos os alunos do Mestre Osvaldo e professores de grandes campeões do Jiu-Jitsu amazonense. 

A terceira linha de formação é daqueles que treinaram e se formaram pelas mãos do Mestre Carlson Gracie no Rio de Janeiro. Aqui se localizam nomes como Sergio Souza Bolão, Wallid Ismail e Luis Carlos Valois. 

Todo o Jiu-Jitsu do Amazonas, necessariamente, descende de uma dessas três linhas e se desenvolve a partir ou com a ajuda delas. 

2- Houve preconceitos ou resistência em aceitar o Jiu-Jitsu? 

Nenhuma. Seguindo o padrão Gracie estabelecido no RJ, o Jiu-Jitsu do Amazonas nasce elitista e direcionado aos grupos privilegiados da cidade. Os irmãos Arthur e Ricardo descendiam de uma família tradicional formada por políticos e autoridades do Estado, e o primeiro grupo de alunos que Reyson teve em Manaus era a conhecida “turma da natação”, chamada de “Os Peixes”. Todos eram filhos de famílias ilustres e bem posicionadas socialmente. Integravam o grupo Luis Façanha, Fernando Façanha, Aly Almeida, Alfredo Jacaúna, Luiz Armando Fartolino, Atila Rayol, Helso do Carmo Ribeiro Filho, Rinaldo Buzaglo, entre outros. 

Em 1977, a filha mais velha de Reyson, Kendra, nasce em Manaus e em 1978, o introdutor do Jiu-Jitsu do Amazonas retorna ao Rio de Janeiro com a sua esposa, Totinha, e a filha de poucos meses. Ele deixou como representante, e aluno mais graduado (como faixa roxa), Luis Façanha, que acabou se tornando professor da primeira geração de alunos que, por sua vez, fundaram as grandes equipes que existem no Estado hoje. 

Com o retorno de Reyson para o Rio, Luis e Fernando Façanha acabaram se aproximando do Grande Mestre Osvaldo Alves, e é aí que começa o contato dele com a arte suave do Amazonas. Esse ponto é interessante de mencionar, pois pouca gente sabe que o Mestre Osvaldo também é nortista (pois nasceu em Rio Branco, capital do Acre).

3- Como o Jiu-Jitsu é visto pelos habitantes do Amazonas? 

O Jiu-Jitsu hoje é uma autêntica manifestação sociocultural no Amazonas, sobretudo em Manaus. “Sua aceitação é praticamente plena, e ele é visto como algo para o qual o amazonense leva jeito”. Proporcionalmente, o Jiu-Jítsu chega a ser mais popular que o futebol e sua prática em toda cidade, com várias academias em todas as zonas administrativas da cidade. 

Ricardo do Carmo Ribeiro e o Ronaldo Jacaré possuem frases engraçadas que ilustram a onipresença do Jiu-Jitsu em Manaus. O primeiro fala que “não é bom arrumar confusão com alguém em Manaus, pois esse alguém provavelmente treina ou já treinou Jiu-Jitsu”. Já o campeão diz que “não se deve andar de carro em Manaus com o braço pra fora da janela, pois alguém pode lhe dar uma chave de braço”. 

 4O Jiu-Jitsu continua crescendo? Como ele vive hoje no estado do Amazonas? 

O Jiu-Jitsu em Manaus é marcado pelo gigantismo, além do refinamento técnico e da conhecida raça do homem da floresta. O mais tradicional campeonato, o Amazonense, reúne em média mais de 3.000 competidores de todas as faixas etárias e de graduação. É aqui que se disputa a copa mais antiga do Brasil ainda em atividade e com edições anuais, a Copa Osvaldo Alves. O Jiu-Jitsu é uma atividade extremamente democrática em que todos os extratos sociais se encontram. 

Hoje ele representa um esporte reconhecido e uma profissão para muita gente. Fora isso, ainda funciona como ferramenta de inclusão social que determina uma mudança de vida para as crianças e adolescentes cujo rol de opções não é tão vasto assim. Também funcionou e funciona como instrumento de formação pedagógica que encaminha muitos jovens para uma vida pautada por bons exemplos. 

Deste modo, temos amazonenses espalhados pelos quatro cantos do planeta vivendo o e do que de melhor o Jiu-Jitsu pode oferecer. 

O tema “Jiu-Jitsu” é tão influente e interessante para o público local que para este ano de 2022 está programado o lançamento de um longa-metragem, dirigido pelo cineasta amazonense Heraldo Daniel Moraes, chamado de O CLÃ DAS JIBÓIAS, que contará a história da arte suave amazonense e seus principais personagens construtores.

 Referências

  • ANJOS, Américo A. C. – Faixa preta 5°grau de Jiu-jítsu – Associação Monteiro de Jiu-jítsu – Advogado e professor de Jiu-jítsu – Pesquisador da historia do Jiu-jítsu e Colunista do Jornal do Amazonas – Líder da equipe Manfight Jiu-jítsu & Defesa Pessoal. 
  • Instagram: @almerioaugusto – @diario_da_luta_amazonense.

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Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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