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Artigo: Síndrome do Pânico e a importância dos professores de artes marciais entenderem o transtorno

Artigo fala sobre a importância dos professores de artes marciais entenderem sobre a Síndrome do Pânico para ajudar seus alunos; leia e opine

* Artigo sobre a Síndrome do Pânico: Em certa ocasião, eu presenciei um professor dizendo, com um tom áspero em sua voz, que “ele não era psicólogo para escutar problemas de alunos”, e que não era obrigado a lidar com qualquer tipo de crise comportamental. Concordo, pois não é sua função. Afinal, sua formação é outra. 

Porém, buscar conhecimentos sobre qualquer assunto relacionado à mente humana é fundamental. Você não precisa tornar-se um especialista da saúde mental, mas precisa estar preparado para  socorrer um aluno com crises, seja qual for, saúde física ou mental, e não ser pego desprevenido ao presenciar um ataque de pânico (Síndrome do Pânico) em sua academia e não saber como agir no momento.

Nota: Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o transtorno atinge entre 2% e 4% da população brasileira, atingindo 350 milhões de pessoas, segundo estimativas.  

Todos os professores, em especial de artes marciais, têm por obrigação entender o comportamento humano e seus transtornos. Jiu-Jitsu, Caratê ou qualquer modalidade não curam transtornos mentais. Podem ajudar, mas não curar. O que eu quero dizer é que quando seu aluno começa a apresentar comportamentos estranhos repentinamente, é necessário ficar atento e orientá-lo para evitar problemas futuros, e não usar da ignorância dizendo que é “frescura”, ou  que  ele precisa parar de fazer corpo mole. Qualquer professor ético e coerente não deve usar esse tipo de fala que só serve para piorar a saúde emocional do aluno.

Então vamos começar a entender a Síndrome de Pânico (TP).

A Síndrome de Pânico é caracterizada por crises de ansiedade repentinas e intensas, com forte sensação de medo ou mal-estar. A desordem do pânico, em suas fases mais agudas, destacam tanto elementos psicológicos, mentais, quanto fisiológicos. Envolvem sintomas como medo de ficar louco, de perder o controle ou morrer, sensação de despersonalização e sinais fisiológicos: parestesias (sensação de formigamento ou dormência que acomete no corpo), sensação de sufocamento e falta de ar, tremores, sudorese intensa, tontura, desequilíbrio, vertigem, palpitações, etc.

Na Síndrome do Pânico, surgem fobias relacionadas a situações (“gatilhos”), que foram vividas como tendo dado origem ao ataque de pânico. Uma síntese inicial das conclusões sobre essa condição revela dois componentes principais: ansiedade de separação, mobilizada por algum evento do presente, e também a mobilização de uma forma extragenital de descarga orgástica, na forma de convulsão, um determinado impulso surge como ameaçador. Um exemplo disso é um impulso agressivo voltado para alguém afetivamente importante para quem vive a desordem. Como forma de defesa, o medo e a culpa podem fazer surgir uma espécie de somatização, uma descarga primária.

Vamos tentar descrever o pânico, pois é difícil entender para quem nunca passou por isso. A sensação de pânico não é a mesma que a do medo, embora o pavor possa ser um sentimento dominante à medida que as emoções prosseguem, crescendo até um ponto máximo.

Relato de uma crise

Leitura em um artigo, (Maluf Jr. Pag. 29) destinada a servir de orientação ao público leigo, um relato fácil de assimilar.

“A primeira coisa que senti foi meu rosto e meu pescoço tornarem-se quentes de repente, fragmentos de imagens assustadoras, todas irracionais, dominaram os meu pensamentos”. Esses pensamentos iam e vinham, acompanhados de um terror que eu não conseguia controlar no estado em que me encontrava. Minha pulsação havia disparado. Meu coração batia acelerado. À essa altura, eu tinha pressentimentos horríveis, o medo aumentando por eu achar que estava à beira da morte. Ondas de adrenalina, como se fossem calafrios profundos, disparavam descargas elétricas pelo meu couro cabeludo, pescoço e peito.

Talvez tenha passado um minuto enquanto eu me achava naquele estado de mais completo pânico. Mal conseguia respirar. Meus rins doíam com a intensidade da pressão arterial. Então, a tempestade começou a passar. Em poucos minutos, eu me encontrava pálida, suada e trêmula.

Causas, diagnóstico e tratamento.

Ainda não sabem exatamente as causas, mas, no geral, vários fatores podem contribuir com seu desenvolvimento. Entre os principais, estão fatores genéticos e ambientais, estresse acentuado, uso abusivo de certos medicamentos, drogas e álcool, possam estar envolvidos. 

O diagnóstico é feito por um profissional da saúde mental (psiquiatra, psicólogo em parceria). É necessário iniciar o tratamento, que pode incluir prescrição de medicamentos antidepressivos, psicoterapia e continuar treinando em sua academia. Aproveite o tempo para cultivar bons sentimentos e amizades. Cuide do seu lado emocional e não se esqueça dos seus sonhos, pois, quando as vontades e as necessidades não são respeitadas, a vida se torna cinza e sem graça. Esse comprometimento individual possibilita aumentar a resistência ao estresse, à clareza mental e à vontade de viver.

Referências

  • MALUF, Nicolau José – Muito além de sentimentos e sensações, Revista Psique, Edição 142 – pag. 28,29.

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Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram: @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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