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Contratado pelo UFC, Nikolas Motta passa carreira a limpo e responde ‘puxão de orelha’ de Dana: ‘Posso fazer muito melhor’

* A categoria peso-leve do UFC ganhou o reforço de mais um brasileiro para o ano de 2021. Em ação em um dos cards da quarta temporada do reality show Contender Series, Nikolas Motta entrou em ação no último dia 10 de novembro e, com uma atuação dominante, derrotou Joseph Lowry na decisão unânime, chamando a atenção de Dana White e Sean Shelby (responsável por casar as lutas das categorias mUais leves no UFC). O triunfo foi suficiente para o mineiro ser contratado para integrar o plantel do Ultimate, sonho que o lutador carrega desde o início de sua carreira no MMA profissional, que teve início em 2012.

Nikolas chega à maior organização de MMA do mundo com um currículo de respeito. Aos 27 anos, o lutador possui um cartel de 12 vitórias, sendo oito delas por nocaute, e apenas três derrotas. Natural de Governador Valadares (MG), o casca-grossa foi campeão peso-leve do evento americano Cage Fury e chegou a lutar no reality show TUF Brasil 4, na primeira oportunidade em que esteve mais próximo de ir para o UFC. No entanto, quis o destino que o Contender Series fosse o responsável pela realização do seu sonho.

“Cheguei a passar pelo TUF, que me deu um gostinho de estar em um ambiente próximo ao UFC, e depois dali, minha obsessão de entrar para o UFC só aumentou. Foi muito difícil, passei por muitos altos e baixos, mas cada derrota foi um aprendizado. Hoje sou um cara muito mais experiente, persistente, e isso me fez chegar onde eu estou agora. Antes dessa oportunidade (no Contender Series) eu estava bem desanimado, quase desistindo, quase comprando minha passagem para voltar ao Brasil, desistir de 2020, até que surgiu a chance no Contender. Eu nunca parei de treinar duro, sempre acreditei”, disse o lutador, em entrevista à TATAME.

Ao longo do bate-papo, Nikolas falou sobre sua trajetória nas artes marciais, os detalhes de sua vitória no Contender Series e a emoção de, enfim, chegar ao UFC. Além disso, o peso-leve respondeu sobre um “puxão de orelha” que recebeu de Dana White. O mandatário aprovou o desempenho do brasileiro no Contender Series, mas ressaltou que Motta precisa trabalhar seu “instinto assassino” para a sequência de sua carreira, agora como atleta do Ultimate.

Veja a entrevista completa com Nikolas Motta:

– Trajetória nas artes marciais e passagem pelo TUF antes do Contender Series

Sempre estive competindo e treinando, desde a infância. Eu comecei na Capoeira, passei pelo Jiu-Jitsu e também disputei muitos torneios de Kickboxing, onde sou invicto. Depois que terminei os estudos, com 18 anos, larguei tudo, deixei minha família e vim para o Rio de Janeiro, para treinar na Nova União, cresci no meio de muitos caras sinistros. O Dedé Pederneiras chegou a falar que eu tinha grandes chances de ganhar muito dinheiro ainda (risos). Cheguei a passar pelo TUF, que me deu um gostinho de estar em um ambiente próximo ao UFC, e depois dali, minha obsessão de entrar para o UFC só aumentou. Foi muito difícil, passei por muitos altos e baixos, mas cada derrota foi um aprendizado. Hoje sou um cara muito mais experiente, persistente, e isso me fez chegar onde eu estou agora.

– Oportunidade no Contender Series e ida para o UFC

Meu plano era justamente lutar pelo Contender Series, era um sonho e eu estava esperando o ano todo por essa oportunidade, é uma ótima chance entrar no UFC por lá, porque é uma visibilidade muito grande, todo mundo está de olho em você, a audiência do programa é muito boa. A única coisa que não ocorreu conforme o plano foi ser chamado de última hora para esse card, porque é bem difícil cortar tanto peso em tão pouco tempo. Antes dessa oportunidade eu estava bem desanimado, quase desistindo, quase comprando minha passagem para voltar ao Brasil, desistir de 2020, até que surgiu a chance no Contender. Eu nunca parei de treinar duro, sempre acreditei e eu pude contar com a ajuda de muitas pessoas, entre elas o Netto BJJ, que tem um estilo de luta parecido com o meu e me ajudou muito para essa luta. Surgiu a chance, com 20 dias de antecedência, de lutar contra um cara que era campeão do evento Cage Fury, um americano sinistro, e eu também já fui campeão por esse evento. Precisei perder mais de 15kg em 20 dias e eu consegui bater o peso.

– Vitória contra americano no Contender Series

A partir do momento que meu primeiro golpe entrou, eu senti que meu adversário já passou a respeitar mais, ter outra postura. Ele vinha de uma luta há dois meses e tinha uma luta marcada para 30 de outubro, então vinha preparado, enquanto eu peguei a luta em cima da hora. O tempo todo eu tentei nocautear, mas na medida certa, sem me expor. Graças a Deus deu tudo certo, o Dana White me contratou e o lado bom é que moro aqui nos EUA há três anos, meu inglês é bom e eu consegui me expressar na hora. Disse que peguei a luta em cima da hora, que posso fazer muito melhor. Falei isso para o Dana, o Sean Shelby (matchmaker do UFC) e eles entenderam. A luta foi muito elogiada e teve uma boa repercussão, recebi muitas mensagens nas redes sociais e fico muito feliz por ter conseguido a vitória e a chance de lutar no UFC.

Ele (Joseph Lowry) era um cara duro demais. Se eu passasse um pouco do ponto nos golpes, eu poderia acabar sendo nocauteado também. Juntamente com minha equipe e com o Netto BJJ, conseguimos traçar um plano perfeito, assistimos as lutas do meu adversário diversas vezes. Queria ter nocauteado, mas meu adversário era muito duro. Sei que se eu tiver um camp completo e não precisar perder tanto peso, posso fazer muito melhor do que eu já fiz.

– ‘Chamada’ de Dana White para mostrar ‘instinto assassino’ no UFC

Conversei com o Dana White depois da luta e eu concordo com ele. Antes do Contender Series, o pessoal do UFC assiste todas as nossas lutas anteriores, e eu sempre apliquei nocautes brutais, e sei que teve um que o Dana assistiu, que eu nocauteei o adversário em 50 segundos. Tenho certeza que ele esperava exatamente isso de mim no Contender, mas cada luta é uma luta, tudo pode acontecer, são estratégias diferentes e temos que nos adaptar a cada situação.

– Ida para os EUA para realizar o sonho de chegar ao UFC

Eu tinha o plano de vir para os EUA, porque eu sabia que vindo pra cá, eu tinha mais chances de entrar no UFC, e esse sempre foi meu objetivo desde o início. Vim pra cá sozinho, passei muito perrengue, o início, como sempre, é bem difícil. O Glover Teixeira me ajudou muito no início, também contei muito com a ajuda do Marlon Moraes, do Matheus Nicolau e do Edson Barboza, eles me ajudaram muito nos treinamentos e sou muito grato. Em especial, agradeço demais ao Marlon, um cara que me auxiliou muito desde o início.

– Expectativa para fazer estreia no UFC em 2021

Quero me preparar muito bem e chegar voando, para na minha primeira luta pelo UFC, já conseguir o bônus de ‘Luta da Noite’ (risos). Ainda não tenho data para estrear, só quero estar bem, poder me preparar da melhor forma para fazer uma grande estreia.

* Por Mateus Machado

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